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Gato Pardo

Para quem não conhecia, saiam enquanto é tempo...Para quem já conheceu, puxem duma cadeira...Vem aí a versão 2.0...

A evolução da criança, versão Gato Pardo

Existe uma ambiguidade de sentimentos quando somos confrontados com fotos nossas de 30 anos atrás.

Um é contentamento. Olha eu que era tão fofinho e inocente, sem mácula de perversão e total desconhecimento do maravilhoso mundo da revista Gina e dos conselhos sexuais da Maria que envolviam cães de raça Labrador e lambidelas das partes íntimas femininas.

O outro é estupefacção. Porra, quem é este gajo? Que penteado é este que parece um bimotor com as asas coladas com cola cisne e folhas de papel vegetal de quinta categoria? E que roupa é esta? Calças de bombazine? Pullover amarelo??? F*********ck!!!!!

Realmente mudamos muito com o passar dos anos. Deixámos de usar a roupa que os pais nos obrigam a usar na infância para simplesmente usar a roupa que os pais nos ordenam usar na pseudo adolescência para depois usar a roupa na qual os obrigámos a gastar uma batelada de cheta na adolescência para depois gastarmos nós uma batelada de cheta em roupa que nos convencemos a nós mesmos que precisamos mas que vai sair do armário duas ou três vezes (right, ladies?).

Olhamos os pais de soslaio quando puxam de um cigarro às escondidas na nossa infância, olhamos com curiosidade para aquele maço esquecido na sala na pré adolescência, fuma-se às escondidas dos pais na adolescência e fumamos que nem umas bestas na idade adulta embora sempre conscientes que podemos parar sempre que quisermos (mas o sacana desse dia nunca chega...).

Olhamos com indiferença para as garrafas de álcool na garrafeira enquanto crianças, curiosidade na pré adolescência, questionamos o porquê da garrafeira estar trancada a cadeado na nossa adolescência e depois passamos uma idade adulta a esconder o álcool de qualidade dos amigos (há garrafas de 50€ que são mal empregues nas goelas de certas pessoas) e a deixar à mercê aquela VAT69 que comprámos para ocasiões e pessoas pouco especiais.

Olhamos com alegria para aqueles desenhos coloridos que os nossos familiares têm na pele enquanto crianças, perguntamos o que raio é aquele peixe colorido que a nossa tia tem no braço direito na pré adolescência, vamos gritar em alto e bom som que vamos fazer uma caveira gigante nas costas só porque sabemos que isso vai causar um colapso cardíaco aos nossos pais na adolescência (e basicamente é isso que fazemos na adolescência, lixar o juízo aos pais) e  quando chegamos a adultos somos os fiéis depositários que uma belíssima forma de arte que até as nossas mães gramam (após terem percebido que aquilo não sai com esfregão de arame).

Lembramo-nos do nosso primeiro beijo na primária, daquela inédita sensação de voar com os pés assentes no chão enquanto crianças, das primeiras pseudo desilusões amorosas e de ver o nosso mundo destruído na pré adolescência, ter a certeza que o amor dói como o caraças na adolescência embora não façamos a mínima ideia do que ele realmente seja e quanto mais adultos nos tornamos, menos percebemos essa coisa do amor.

Portanto, sim. Existe uma ambiguidade de sentimentos gigantesca quando recordamos coisas de 30 anos atrás. E mais me apercebo que era tudo bastante mais fácil. Não me importava de voltar a ser criança. Tirando o penteado e certas roupas. O resto aceito sem grandes problemas.

 

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